MODELO DE TRATAMENTO - CADERNO 1 - REI BEBÊ


O INSTITUTO J BISCALQUINI, é consciente da importância do aprendizado educacional para o tratamento da tóxico dependência, modulou esse material que constitui uma ferramenta fundamental de conhecimento para tratamentos segundo o modelo de 12 passos.
O material está disposto em 06 cadernos onde falaremos de:REI BEBÊ, PENSAMENTO DESTRUTIVO, GRANDIOSIDADE, NEGAÇÃO, RAIVA E VERGONHA, (ferramentas comportamentais de Terápia racional emotiva) além de um caderno de TRABALHOS DE PREVENÇÃO À RECAÍDA.
Acreditamos na recuperação e reinserção social do indivíduo portador da doença da dependência química (drogas e álcool).
Aos alunos, pedimos que prestem muita atenção ao que falaremos aqui e que se dediquem a fim de se compreenderem e a se identificarem e de terem uma boa recuperação.
Bons estudos.
AQUI NASCE UMA NOVA PESSOA!
-Aos pais, conjugês e pessoas envolvidas com o problema, o conhecimento do tratamento é de fundamental importância para ajudar no desempenho da recuperação do seu filho.

O Dr. Harry, utilizou as palavras “sua majestade Bebê”, do psicanalista Sigmund Freud, para descrever uma atitude inata.
O termo Rei bebê poderia ser de forma igualmente adequada a Rainha bebê, porque, provavelmente, todos nós temos este ego infantil no nosso inconsciente.
Os dependentes quimicos tem de estar particularmente conscientes das caracteristicas do Rei Bebê, pois essas atitudes e comportamentos podem interferir na sua recuperação.
Nos programas de 12 passos, sentimos frequentemente a necessidade da rendição e de tentamos pratica-la. “orientar a nossa vida e as nossas vontades para Deus”.
Temos “slogans” que realçam a necessidade do 3° passo e as suas recompensas:
se entrega, deixa Deus agir”.
entregar resulta”.
O reconhecimento da impotência é a base da rendição, mas o ato da rendição surge com a aceitação total dessa impotência. Muitos de nós, que sentem dificuldades com o 1° passo, são capazes de reconhecer a sua impotência mas não estão dispostos a aceita-la. Por outras palavras, somos capazes de vê-la e compreende-la, mas a nossa necessidade de controle impede-nos de nos comprometermos com este ato de rendição que tão necessário é. Os nossos egos interferem. A nossa imaturidade exige que conservemos o controle. A nossa mentalidade de reis Bebês insiste em que dirijamos as nossas vidas e controlemos nossas vontades. Ao proceder assim, o rei Bebê impede a nossa recuperação saudável.
Neste estudo aprenderemos a identificar o “eu” infantil do rei bebê que existe dentro de nós. Temos de renunciar aos traços infantis da nossa personalidade antes que a nossa doença possa ter totalmente nos dominado.
A personalidade compulsiva do rei bebê pode acelerar a adicção ou conduzir a recaida. Temos de nos manter conscientes destas tendencias ao trabalharmos o nosso programa de recuperação dos 12 passos. Nos narcóticos anônimos.

QUEM É O REI BEBÊ?
Para compreendermos o rei bebê, vamos imaginar por momentos que estamos de voltar ao ventre de nossa mãe. Ai, sentimos calor, segurança, conforto, liberdade e poder. Todas as nossas necessidades são satisfeitas. Somos o centro do nosso universo. Tomam conta de nós só pelo fato de existirmos e isso satisfaz-nos totalmente.
A infancia tambem encoraja as nossas atitudes de Reis Bebes.
As nossas exigências ruidosas de alimento, atenção e carinho são imediatamente atendidas.
Somos, de novo, o centro de um vasto reino; os nossos desejos são de máxima importância e no estado adulto, a maior parte da mentalidade de Rei Bebê é abandonada e substituida por atributos que permitem uma maior capacidade de adaptação.
Alguns de nós, no entanto, fomos avançando através dos estagios do desenvolvimento físico sem nos desprendermos desta criatura imatura – rei bebê. Para nós, o Rei bebê nunca esquece a aconchegada e maravilhosa segurança da vida pré-natal e infantil e tentará constantemente voltar a experimenta-lá. O Rei bebê luta para reconquistar a felicidade total que advém de todas as necessidades serem satisfeitas.


CARACTERISTICAS DO REI BEBÊ
Ao tentarem recuperar a segurança da infância, os reis bebês continuam a funcionar com base nos mesmos sentimentos que a muito tempos atrás tanto gratificaram.
O dr. Harry, afirma que quando os traços infantis se mantem na idade adulta, diz-se que a
pessoa é imatura. “isto é: a onipotência, a incapacidade de aceitar frustações, e de fazer as coisas sempre as pressas.”
Os reis bebês partilham de uma grande variedade de traços de personalidade.
Nenhum possui todos os traços, mas descobriremos provavelmente muitos deles que nos descrevem.
Os reis bebês podem apresentar as seguintes caracteristicas:
1- ficam muitas vezes irritados com as pessoas que representam a autoridade ou com receio delas, e tentam coloca-las umas contra as outras de modo a conseguirem o que querem.
2- procuram aprovação e frequentemente perdem a sua própria identidade no decorrer do processo.
3- são capazes de causar uma boa primeira impressão, mas incapazes de manter.
4- tem dificuldade em aceitar criticas pessoais e sentem-se ameaçados e irados quando criticados.
5- tem personalidade adictivas e deixam-se a levar a extremos.
6- não aceitam ou alienam-se de si próprios.
7- ficam muitas vezes imobilizados pela ira e frustação e raramente estão satisfeitos.
8- sentem-se geralmente sozinhos, mesmo quando rodeados de pessoas.
9- estão sempre a queixar-se e culpam os outros do que lhes acontece de mal na vida.
10- sentem que não são apreciados e que não pertencem.
11- vêem o mundo como uma selva cheia de pessoas egoistas que não estão disponiveis para eles.
12- encaram tudo como uma catastrofe, como uma situação de vida ou de morte.
13- julgam a vida em termos absolutos: preto ou branco, certo ou errado.
14- vivem no passado, ao mesmo tempo que receiam o futuro.
15- tem fortes sentimentos de dependência e um medo exagerado do abandono
16- tem medo do insucesso e da rejeição e não tentam fazer coisas novas em que possam vir a falhar.
17- tem obsessão do dinheiro e das coisas materiais.
18- sonham com planos e esquemas grandiosos e tem pouca capacidade de fazer com que aconteçam.
19- não podem tolerar a doença neles ou nos outros.
20- preferem agradar aos superiores e intimidar os subordinados.
21- acham que as regras e as leis são para os outros e não para eles próprios.
22- tornam-se frequentemente escravos da excitação e de uma vida de frenesi.
23- guardam para si as emoções dolorosas e perdem o contato com os seus sentimentos.

A CRIANÇA ASSUSTADA O REI BEBÊ

muitos adictos tem dentro de si uma pessoa assustada, solitária e envergonhada que murmura contra si mesmo pensamentos derrotistas, baseados numa vida inteira de mensagens negativas. Constantemente se comparam aos outros e sentem que não estão á altura deles.
Estes sentimentos de falta de valor próprio, de culpar-se, e de não pertencer, tornam-se o nucleo central das nossas personalidades.
O Rei Bebê – ser egoista e exigente – emerge como sendo uma reação a estes sentimentos de vergonha e inadequação.
Ao tentarmos de uma forma infantil para sermos aceitos e agradarmos aos outros, começamos a procurar coisas exteriores para nos sentirmos melhor por dentro.
Vestuarios de alta costura, carros da moda, namoradas, drogas e a excitação de uma vida frenetica ajudam a acalmar o nosso sofrimento. Criamos expedientes a procura do prazer; a procura do poder e a procura de atenção para encher o vazio, mas o vazio mantem-se .
Não há amor, estatos, dinheiro ou fama que chega para a criança assustada que existe em nós.
Considerando tudo isso como uma fraqueza, a parte de nós que corresponde ao rei bebê tentará destruir, atacar e por de lado a nossa criancinha assustada. Ao negar estes sentimentos, o Rei bebê encobre, em última análise, o fato da criancinha assustada existir.

A LUTA INTERIOR

Compreender o Rei Bebê é dificil porque as coisas nunca são aquilo que aparentam ser a superficie. Existem dois fatores principais de motivação: em primeiro lugar, a criança assutada, solitaria, que não quer mais ser magoada e, em segundo lugar, o Rei bebê que nunca está satisfeito.
Quando a criança receosa que existe em nós ouve a palavra não, uma mensagem interior diz-nos que somos maus. Sentimo-nos amados quando somos acarinhados, e não amados quando nos corrigem ou nos ralham. Quando somos criticado, a nossa imaturidade insiste no direito de fazermos o que entendemos e argumenta que, se somos amados, os outros devem deixar fazermos o que queremos. Muitas vezes, as nossas manipulações permitem-nos ganhar.
Ambas estas facetas – a criança medrosa e o Rei bebê exigente, ficam temporariamente satisfeitas se criarmos a pessoa que pensamos que os outros querem que sejamos. No entanto, a base para a recuperação duradoura será a criança assustada readquirir o sentimento do próprio valor e aprender a controlar os comportamentos do Rei Bebê.

O PROBLEMA

As pessoas em recuperação tem geralmente a conciencia das muitas ameaças que está sujeita a sua sobriedade. Os programas de 12 passos são concebidos para nos ajudarem a enfrentar e ultrapassar nossos defeitos de caráter. A imaturidade, que constitui um problema para muitos de nós, é um reduto do rei bebê em cada um de nós. Poderá ser necessario reconhecermos este defeito e ultrapassa-lo se quisermos continuar a nossa recuperação.
O Rei Bebê em nós diz-no que temos razão – os outros estão errados. Muitos de nós defendemos a nossa razão em todo e qualquer lado onde nós tenhamos nos sentido ameaçados.
Os reis bebês atuam muto das vezes como se fossem o seu próprio poder superior, tomando decisões baseadas nos seus juizos em relação a si e aos outros. O Rei Bebê que existe em nós diz-nos que deveriamos ser capazes de ser bem sucedidos em tudo que empreendemos.
Existe em nós o sentimento de sermos destinados a grandeza.

O MITO DO REI BEBÊ

A mentalidade do rei Bebê é comandada por três motivações; poder, atenção e prazer. Tentamos arranjar amigos sendo excessivamente simpáticos e amaveis, podendo estar a agarrar-nos às pessoas. Tentamos frequentemente controlar ou dominar. Colocamos condições em quase tudo o que fazemos, o que cria situações de dividida para conosco. Receamos que o nosso verdadeiro eu seja rejeitado, por isso apresentamos ao mundo uma pessoa falsa e inventada. Isto protege-nos de sermos magoados. Cada uma das personalidades ou jogos que inventamos tem por base uma falsa promessa ou mito.

A pessoa popular…
MITO: se eu for simpático, atrativo, magnético, e for a pessoa que anima as festas, você vai querer seu meu amigo.
VERDADE: querendo ser tudo para todos, perdemos o nosso verdadeiro eu no processo. O jogo acaba quando os outros compreendem que não existe nada por detrás dos falsos sorrisos.

O tirano ditador…
MITO: se me obedecer e se puser debaixo das minhas regras e controle total, eu o protejo do caos.
VERDADE: se pensarmos que nascemos chefes, capazes de dominar qualquer crise, esperamos que os outros se ponham confiantes nas nossas mãos. Mestres no sarcasmo, mantemos os nossos súditos no seu lugar com comentarios cruéis. O fim do jogo da-se quando suditos se recusam a obedecer.

O conquistador…
MITO: sou irresistivél para o sexo oposto. Parte da minha capacidade de atração vem da minha falta de respeito pelos outros. Espero amor, atenção, riqueza e poder em troca de privilégio da minha companhia.
VERDADE: estamos metidos numa competição feroz para ocupar o centro do palco e somos incapazes de comprometer numa relação. O jogo acaba quando os outros tomam consciência da frivolidade do conquistador.

A pessoa bonita…
MITO: juventude, um corpo bonito e um rosto atrativo são as qualidades essenciais para ser amado e aceito.
VERDADE: tentamos viver apenas a custa das aparências. O jogo acaba quando os outros se fartam da criança que exige que lhe confirmem constantemente a sua capacidade de atrair.

A pessoa que entretêm…
MITO: se conseguir entretê-lo com a minha música, o meu espirito ou qualquer outro talento, você vai admirar-me.
VERDADE: só nos sentimos aceitos se os outros ficarem entusisasmados com os nossos talentos e procurarem a nossa companhia para se distrair. O jogo acaba quando os outros se fartam de terem de estar sempre na posição de admiradores ou quando percebem que não temos qualidades humanas e afetivas que contribuem para uma relação.

O perfeccionista…
MITO: não valho nada se não for o melhor naquilo que faço.
VERDADE: ninguém é sempre melhor ou mais bem – sucedido, mas tentamos nos valorizar fazendo especializando-nos em fazer algumas coisas bem feitas. O fim do jogo chega quando tomamos consciência da futilidade de tão altas expectativas ou quando os outros se cansam da nossa competitividade.

O simpático...
MITO: se eu for simpático todos gostarão de mim.
VERDADE: o medo da rejeição nos leva a procurar a aprovação constante de toda a gente. O fim do jogo acontece quando verificamos que não podemos agradar a toda gente ou quando os outros se cansam da fraqueza das nossas atitudes.

O rebelde…
MITO: tenho de fazer as coisas a minha vontade, senão… as regras são paea as outras pessoas. Se me disser para não fazer uma coisa, é como se agitasse uma bandeira encarnada na minha cara e me desafiasse a faze-la.
VERDADE: nós os rebeldes, acarretamos geralmente com as consequencias ou o castigo que mereccemos ou que pedimos. O fim do jogo vem quando nos aborrecemos de pagar o preço que o fora da lei tem que pagar e abandonamos este comportamento.

O mártir…
MITO: mereço sofrer. Eu não conto. Ninguém me compreende. Pobre de mim. Considero a sua piedade como expressão de amor.
VERDADE: confundimos amor com piedade e pensamos sacrificando-nos nos protegemos do abandono. O jogo acaba quando nos fartamos de sofrer e compreendemos que merecemos melhor.

A pessoa que não participa…
MITO: se não jogar o mesmo jogo que eu recuso-me a jogar.
VERDADE: paralisamos pelo medo do insucesso e da rejeição, não empreendemos nada e sentimos que o mundo tem uma dívida para conosco. Temos tão pouca coragem e tanto pessimismo que desistimos antes mesmo de começar. O fim do jogo da-se quando os outros se fartam de não receber nada em troca.

O CIRCULO VICIOSO
Todos estes jogos começam com alguma esperança de sucesso mas escorregamos para a frustação e o fracasso. Uma vida de Rei Bebê acaba por tornar-se numa situação extrema de altos e baixos. Os recomeços são sempre seguidos de desfechos dolorosos. Estes Bebês tornam-se escravos da emoção que o sucesso traz e, mais importante ainda, escravos também da do insucesso.
Os reis bebês não podem suportar aborrecimento que advem das coisas correrem bem demais e criam situações de crise e confusão. Uma vida de agitação disfarça os problemas e diminuiu a sua responsabilidade pelos fracassos.
O caos impede os mesmos de observar como sua autoestima está em constante diminuição. O fato de ter acabado a graça destes jogos dilui-se na total ausência de quaisquer sentimentos. É previsivel que a personalidade do Rei bebê se irá tornar dependente de qualquer coisa. É só uma questão de tempo.

A COMBINAÇÃO FATAL

Agarrada a uma vida de excessos e sujeito a sentimentos de pouca autoestima, uma pessoa imatura tem uma vida frustante e pouco compensadora. Mas não necessariamente desgraçada. Porem “qualqer coisa” que aconteça a um adicto quando o etilo de vida de rei bebê e a pouca autoestima se combinam com a esperiência de ficar vidrado, não é bom. Este “qualquer coisa” pode ser uma combinação fatal. Aqueles sentimentos calorosos, agradáveis e confiantes da infancia, “aquilo que procuramos toda a nossa vida”, é de novo alcançado. O efeito reconfortante e anulador do medo que o químico oferece, corresponde exatamente como aquilo que os nossos egos de reis bebês tem procurado. É quando a relação de amor em nossas vida escorregam progressivamente para um comportamento mais excessivo e imaturo.

O CATALISADOR

O sistema de defesa do rei bebê, quase negando qualquer problema, já se encontra bem definido e acelera a queda do adicto. O inimigo está dentro de nós, e o uso da droga libera as nossas frustações, raivas, ressentimentos, medos e duvidas reprimidos, como um foguete que descola para o espaço. Regressa a sensação maravilhosa do útero, e o bebê anda radiante por dentro e por fora, excitado e confiante com a descoberta dessa euforia.
O ego torna-se um doido furioso, exigindo ser constantemente alimentado através de uma série de diversões e excitações que nos atiram a uma alta velocidade para o aumento progressivo da adicção. Rapidamente nos tornam adictos e atingimos o fundo em metade do tempo que levou aos que nos antecederam.
Cego pela maravilhosa sensação dessa euforia perfeita, o Rei bebê que existe em nós põe de parte aquilo que resta da sua consciência e sistema de valores. Dispondo de todo um sistema incorporado de persianas, tampões para os ouvidos e visão estreita ao serviço dum sistema de engano e negação, somos capazes de nos manter completamente ignorantes a respeito do estado a que chegamos.

FARTO DE ESTAR FARTO

exausto devido a uma vida que exige tudo correndo, fazendo tudo para ganhar, tentando freneticamente levar a melhor, temendo as consequencias e os desfechos e pretendendo ser tudo para todos, o Bebê que existe em nós acaba muitas vezes fazendo uma travessura brusca.
Quando o enjoo e o panico provocados pela sensação de se ter um nó no estomago se tornam em medo devastador e em terror que nos consome totalmente, batemos no fundo do poço. O rei bebê não pode imaginar a vida sem quimicos e tem medo de continuar indiferente nesta corrida feroz que nunca mais acaba. Amarrado ao modelo deste comportamento que se repete e não tentando nunca qualquer coisa diferente, o rei bebê esta demasiado paralisado pelo medo para que se possa enfrentar o dia seguinte. A recuperação pode ser adiada pelo ego imaturo que continua a insistir que tem razão – “posso fazer seja o que for. Não preciso de ajuda”. O tempo certo é muito importante, porque agora o bebê está vulneravel e pode ser ajudado.

ADMITIR A DERROTA, ENCARAR A REALIDADE

Admitir que a nossa maneira não deu certo e enfrentar o fracasso, abrirá as portasa um mundo de sofrimento. No espaço de um instante o nosso rei bebê passará a necessidade de ajuda, ao sentimento de desespero, de ser otimista ao invés de achar que não conseguiremos mudar. Ficaremos atolados no pântano do nosso desespero esperando ser salvos, enquanto exigimos um certificado de garantia para o sucesso antes de enfrentarmos os nossos medos e começarmos a abrir. Nesta altura, podemos aceitar ajuda dos grupos de apoio como A.A, e N.A., vindo ao nosso encontro através de “membros iguais”, que nos asseguram que os 12 passos funcionam. Antes de fazer o primeiro passo, o rei bebê precisa confiar em que “se os outros são capazes, eu tambem sou”. A forma de escapar a ratoeira do rei bebê é pensar “eu não sou capaz, nós não somos capazes”. Render-se ao estilo de vida dos 12 passos pode dominar o rei bebê e pode nos ajudar a encontrar um poder superior que trabalhe para nós.
Podemos aprender o verdadeiro sentido do perdão, da humildade e da gratidão. Podemos aprender a evitar as armadilhas do rei bebê e a sintonizar para os 12 passos. Podemos aprender a divertir-nos ao mesmo tempo que adquirimos uma compreensão nova e mais profunda da vida.

CURAR A NOSSA CRIANÇA ASSUSTADA

servindo-nos de todo amor e apoio do nosso grupo de 12 passos, teremos de empreender uma viagem interior a fim de encontrar aquela parte de nós, o “mau” rapazinho assustado ou a “má” mocinha assustada, que tanto tempo ignoramos. Podemos imaginar-nos entrando no quarto dele ou dela e vendo a criança agachada e chorando em um canto do quarto. Podemos nos tornar pais amantes e carinhosos dessa criança que existe dentro de cada um de nós; como qualquer pai faria, encorajamos a criança a se proximar, sentar ao nosso lado e explicar o que está ocorrendo de mal. Então, ao pegarmos nossa criança dizendo “está tudo bem”, e ao limparmos carinhosamente as suas lagrimas, fazendo com que ela sabia que é amada, que é um belo ser humano e que está em segurança.

OS CUIDADOS DENTOR DOS MEMBROS DE A.A e N.A

Existe dentro dos grupos 12 passos um sentimento de ternura, calor e segurança, que vai ao encontro dos recém chegados com a mensagem “ és amado só porque existe, e eu vou gostar de ti antes mesmo de me tornar merecedor de ser amado”. Esta é a promessa de A.A. e N.A, amor incondicional. A única coisa que esperam de nós, é que tenhamos um desejo sincero de parar de usar drogas ou beber. Isso corresponde ao ventre acolhedor e aconchegando que o bebê tem procurado sempre. A família carinhosa e atenta dos 12 passos é genuina e está em nitido contraste com a falsa segurança do álcool e de drogas.

AMAR-SE A SI PRÓPRIO
Lentamente, o bebê em recuperação começa a adquirir o respeito por sí próprio através dos 12 passos. É um trabalho dificil de mudar completamente a vida de uma pessoa, mas os AA e NA, estão sempre presentes como guias. Através desse programa começa a florecer a consciência da dignidade pessoal. Nasce através da descoberta, disciplina, perdão e aceitação da própria pessoa. Gradualmente, a criancinha medrosa aproveita a oportunidade de desnvolver o amor por próprio.

AMAR E SER AMADO
Não faz mal se as pessoas no grupo dos 12 passos gostarem de nós antes de nós gostarmos de nós mesmos. O que importa é que agora gostamos mais de nós. Gradualmente, havemos de explorar e descobrir todas as qualidades maravilhosas que possuimos.
Para um padrinho é muito gratificante observar o afilhado descobrindo os seus talentos m maravilhosos e únicos. Cada um aprende com o outro, enquanto atravessam as provas do começo da sobriedade. Os padrinhos fazem isto para conseguirem ficar sobrios; mas, ao fazerem isto, reforçam tudo quanto aprenderam. Observar o recém chegado a regressar a vida é uma emoção que constitui recompensa suficiente.

LIBERDADE
voltar a vida com os sentimentos da nossa dignidade e ficar ligados a um padrinho, preparar-nos para a próxima fase.
A nossa imaturidade obrigou-nos a passar a vida a captar poder exterior para nos sentirmos bem por dentro. Vendermo-nos por um sorriso era escravidão. O bem estar não vem das outras pessoas, lugares ou coisas, mas de dentro.
Recuperar o poder pessoal passa por admitirmos primeiro a nossa impotência em relação aos outros. Todos nós precisamos de assumir a responsabilidade pelo nosso próprio valor e dignidade. O nosso valor próprio não dependen do que os outros dizem ou fazem, mas antes de como reagimos aquilo que os outros dizem ou fazem. Reagir com medo, raiva ou ressentimento leva a pessoa a sentir que não tem valor. Aceitar o fato de que nem toda a gente irá estar dea cordo conosco, e talvez nem mesmo gostar de nós, é realista.


RENDIÇÃO: SER DEUS OU ACREDITAR EM DEUS

É um grande alivio já não nos sentimos obrigados a tentar governar o universo. Na rendição, devolvemos essa tarefa a um poder superior que, por si mesmo, enche as nossas almas com o calor, o conforto e a serenidade que há tanto tempo vimos procurando. Uma vez mais, istoé semelhante ao que sentimos no útero.

PERDÃO

Deus não faz coisas mal feitas, cada um de nós é uma pessoa única – um alguém, não um ninguém. Em todo mundo não há mais ninguém igual a nós. Temos de nos deixar fascinar por nos mesmos e tomar consciência de como somos fortes. O rei bebê que existe dentro de nós desenvolvem uma larga variedade de energias associadas aos talentos que Deus nos deu, e devemos aprender a apreciar essas energias. Podemos aprender com o passado e entrega-lo. Podemos deixar de ser o juiz, o juri e o carrasco que nos condena. Sabemos que o nosso poder superior nos perdoa. Agora é altura de lhe darmos espaço. Temos de parar de nos julgar e sair do seu caminho.

HUMILDADE
“meu Deus, como é difícil ser humilde quando se é perfeito em tudo”. Quando Mac Davis, cantou está conção, por toda parte os reis bebês coraram, sabendo que ele estava a referir-se a eles. Já sabemos agora que o orgulho constitui grande parte do problema do Rei Bebê. O que precisamos de aprender é que o orgulho pode ser positivo. A humildade é uma aceitação de ser igual, nem melhor nem pior. Ser igual é também ser honesto, aberto e vulneravel, o que é dificil mas possível agora. Sentimo-nos livres de sermos nós, podemos enfrentar a capacidade de aprender e de sermos flexiveis. Para continuarmos a crescer e evitamos as recaidas, a humildade tem de ser constantemente mantida.

CULPA
a maquina da culpa, ou seja, a consciência do rei bebê esta avariada. Os Reis bebês “branqueiam” os seus comportamentos e perdem os seus sistemas de valor durante o processo. Tendo consciência disto, reagem exageradamente e castigam-se constantemente por serem humanos. Até que o rei bebê que existe em nós encontre o equilibrio e um novo conjunto de valores, teremos de contarmos muitissimo com os nossos padrinhos. Uma boa regra de conduta se nos sentirmos culpados. Será não procedermos assim. Temos de descobrir em que é que acreditamos e viver de acordo com isso.

USAR AS NOSSAS PERSONALIDADES ADICTIVAS
Sabemos que temos personalidades adictivas. Porque não havemos de tentar ser dependentes em relação a qualquer coisa que seja positiva para nós? Podemos escolher alguns mini objetivos ou coisas que possamos fazer todos os dias. Podemos criar uma divertida, positiva e, até apaixonada, ligação amorosa com determinado programa de exercicios. Se quisermos, podemos voltar para a escola.

DESENVOLVER UMA RELAÇÃO PESSOAL COM O NOSSO PODER SUPERIOR
deviamos perguntar-nos que genero de poder superior temos e como vamos contatar ele ao lermos as nossas meditações diárias. Podemos escolher um tema segundo o qual viver o dia a dia, lembrando-nos que uma atitude positiva não é automática, mas vem com a pratica e um trabalho aturado. Quanto mais as nossas expectativas diminuem mais a nossa serenidade aumenta. Podemos praticar a aceitação em relação a nós próprios e aos outros.

INVENTÁRIO DIÁRIO
cada noite deveriamos registrar as coisas positivas que fizemos e as coisas boas que nos aconteceram. Isto põe em evidencia que devemos a nós mesmos algum credito por aquilo que realizamos. Podemos rever calmamente os nossos erros e admitir prontamente aquilo em que erramos.

RELAÇÕES COM O SEXO OPOSTO
a nossa recuperação é seriamente comprometida ao começarmos uma relação cedo demais. Ao experimentarmos o sofrimento que a recuperação causa, o rei bebê que existe em nós procura muitas vezes novas relações para aliviar a dor do crescimento. Permitir que isto aconteça é semelhante a um inseto que se deixa atrair pela chama, e o rei bebê demasiadas vezes cria uma relação de dependencia e usa essa relação como uma droga para ficar euforico. Isto põe a nossa recuperação em suspenso ou, ainda pior, pode provocar a recaida. A nossa imaturidade pode ter-nos impedido de saber o que é ou como ter uma relação saudável. Tudo o que sabemos é possuir, invadir, exigir, atacar e conquistar. Adoramos a lua de mel mas fomos incapazes de aguentar os altos e baixos de uma relação. As emoções intensas de uma relação nova poderiam causar a perca da nossa sobriedade recém encontrada.

A ATITUDE A TER É GRATIDÃO
aprendemos finalmente a ocupar-nos a apoiar, alimentar e acarinhar a nossa criancinha receosa. Decretamos mesmo tréguas com o nosso lado do Rei bebê e tornamo-nos capazes de controlar o que se passa dentro de nós. Nunca ocorreu ao rei bebê que uma pessoa pudesse ser autodisciplina e viver uma vida normal e, apesar disso, estar realmente “na onda” e ter vida. Podemos agora desenvolver uma serenidade interior que o rei bebê nunca pensou ser possivél. Existe um poema lindo, chamado “o pedido e a resposta”, que descreve os sentimentos que o rei bebê tem quando toma consciência que através de todo este sofrimento recebeu grandes bençãos.




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